É incrível como todo dia eu estou sem minha lixeira no trabalho. O pessoal da limpeza passa na madrugada para limpar e simplesmente não põe no lugar. Eu tento entender, afinal são muitas lixeiras sendo esvaziadas, não dá para lembrar a posição de cada uma.
Mas uma vez o pessoal da limpeza exagerou. Eu fiquei trabalhando até de madrugada e quando os caras passaram para limpar eu ainda estava lá. E não é que o cidadão passou na minha mesa pegou a minha lixeira, esvaziou no sacão de lixo que estava carregando e colocou a lixeira em outra mesa. Surreal! será que estou me tornando invisível.
Sempre sem lixeira
•Fevereiro 7, 2009 • Deixe um comentárioFelpudo
•Fevereiro 5, 2009 • 1 Comentário
Eu tenho um amigo paulista que possui um sotaque super carregado. Ele só chama biscoito de bolacha, usa o “i” no lugar do “r”, enfim um sotaque carregadíssimo. Já tentei dar aulas de carioquês pra ele, mas fora em vão. Ele sempre resiste. Varias vezes pedi que ele falasse “bixcoito” e ele insiste no “s” e fala “biscoito”. Mas teve um dia que ele exagerou nas gírias paulistas e disse que o almoço estava “felpudo”. Não entendi nada, olhei com cara de interrogação. O que seria felpudo? Será que ele tinha encontrado um pelo na comida?
Ele tentou explicar, disse que felpudo era o mesmo que chapado. Outra cara de interrogação, afinal o que felpudo tem a ver com chapado. Então ele decidiu usar um vocabulário “conhecido” e disse que felpudo e chapado eram “da hora”. Mais interrogação estampada na cara. Dessa vez ele desistiu e falou português, explicou que todas essas palavras serviam para definir algo muito legal. Ahhhh, agora eu entendi.
Depois desse dia eu descobri a minha missão, eu deveria ensiná-lo a falar de um modo que não tentassem matá-lo aqui no Rio. Chapado, aqui no Rio é usado para definir os muito bêbados. Felpudo é para toalhas ou para coisinhas fofas como a dessa imagem.
Um Brasil de misturas
•Fevereiro 3, 2009 • 2 Comentários
Em cada região do Brasil existem palavras com significado único e normalmente muito engraçado para nós que não fazemos parte daquele contexto. Algumas vezes as diferenças são tão grandes que quase precisamos de um dicionário. Vejam só imaginem alguém chegando na padaria e pedindo um cacetinho, os gaúchos que estão lendo vão achar normal, eu e o resto do país não vamos entender que o que eles querem na verdade é pão francês. Ou ainda na loja de material de construção alguém pergunta o preço da patente. Eu, na minha santa ignorância, mandaria a pessoa procurar uma loja de uniformes militares, mas no Sul o que se quer saber é o preço do vaso sanitário.
Pegando um avião direto do Sul para o Nordeste vamos ter mais novidades. Saindo da festa alguém lhe pede um bigu. O quê será um bigu, eu diria que não tenho nenhum comigo e seguiria minha vida. Ia ganhar fama de antipática sem sabe o porquê, mas no fundo a culpa foi minha que neguei uma carona ao meu amigo. E a patente do gaúcho em Pernambuco se chama cambrone, algumas vezes pode ser chamado de aparelho. Imaginem a cena, na época da ditadura militar o jovem paulista que luta contra o sistema vai para o Nordeste recrutar pessoas. Para isso decide dar uma festa para conhecer melhor as pessoas:
Nordestino: Acho que vou no seu aparelho.
Jovem : Aparelho!? Não sei nada sobre o assunto.
Logo depois o Nordestino saí e o Jovem chama o Gaúcho e fala: – Cara, fomos descobertos temos que procurar outro lugar. Para quem não sabe era assim que os guerrilheiros chamavam os esconderijos. Muito doido.
Continuando nosso passeio pousamos agora no Norte. Se alguém me pergunta por que você é mão de mucura amassada, eu me recusaria a lhe dar um aperto de mão quando na verdade posso segurar na sua mão a vontade, pois isso não é uma doença contagiosa. A pessoa só quer saber a razão da sovinice. E se te oferecerem um xibé para o almoço e você aceitar, vão lhe servir um prato cheio de farinha de mandioca com água. Fazer o quê, aceitou vai ter que comer!
Descendo para o Cento-oeste vamos ver galinha priscando-se, e não vá pensando que priscar é o mesmo que ciscar ou bicar, sinto-lhe informar que passou bem longe. O que de fato aconteceu foi que a pobre galinha percebeu que vai pra panela no almoço das visitas. Pena que faltou arroz, mas nada como uma visita ao bolicho para resolver o problema. Essa foi fácil, não é? Você deve estar pensado no mercado, e mais uma errou a mercearia é mais perto, além de aceitar um pendura, coisa que o mercado não faz.
Vou agora para o estado que mais gosto de implicar por causa do dialeto: São Paulo. Imagina alguém falando: “Vou subir na guia. Desde quando se sobe em guia? Guia, pra mim, é um livrinho com um mapa da cidade com o nome das ruas ou uma pessoa que anda pela cidade mostrando os pontos turísticos. O paulista acha que o meio-fio é a guia. Tudo bem, meio-fio também soa estranho, mas bordo de calçada é muito pior, não é? E se o paulista fala: Vou chegar naquela mina. Eu pergunto logo: Mina de quê? Ouro? Prata?. Mas o cara quer xavecar a moça. Caramba, tá ficando difícil, não é? Vou traduzir o cara quer paquerar a garota. Vou lançar agora um desafio para vocês paulistas que estão lendo esse texto: quero um pacote de bolachas que contenha a palavra bolacha no lugar de biscoito.
E para terminar quero ver quem sabe me dizer o que meu amigo paulista quer dizer quando falou: O almoço hoje está felpudo. No próximo post eu lhes conto o que é algo felpudo.
Palavras da Infância
•Fevereiro 2, 2009 • 1 Comentário
Nada no mundo é mais engraçado do que uma criança começando a falar. Cada criança é mais criativa que a outra no momento de inventar uma nova palavra. Algumas são somente a troca de letras, ou silábas, como por exemplo a geleia de motocó. Em outros casos as silábas são trocadas por outras e outras toda uma nova palavra é inventada.
Algumas vezes falamos uma palavra e a criança olha pra você com uma cara de interrogação e “repete” o que você falou, e solta algo do tipo água mixinitária, mocrofone ou gabageiro. E quando a criança pede algo simplesmente identificável como mananá, balu-balu ou tabito, o que fazer? Algumas vezes os pais estão por perto e prontamente vem nos socorrer, outras vezes só nos resta rir e torcer para que o pequeno não comece a chorar por causa do tofoni.
E o que poderia ser esbulachando? Seria algum sinônimo para estapear ou tropeçar? Quem sabe? E quando uma criança pede rosbife e você tem certeza que ela nunca comeu rosbife na vida, o que será que de fato ela quer comer. Não sabemos, é um exercício constante de adivinhação. Cada dia uma nova palavra, um novo mistério, uma nova risada, uma nova alegria.
A única tristeza é quando essa fase passa e as palavras são o que são. O inesperado acaba, mas as alegrias continuam.
Cão e Gato
•Fevereiro 1, 2009 • 2 ComentáriosMinha grande frustração quando criança foi nunca ter tido um cachorrinho. Não importava o quanto eu chorasse ou esperneasse, minha mãe era irredutível. Durante a minha adolescência finalmente convencê-la de me deixar ter um bichinho. Bem, não foi muito difícil convencê-la, eu peguei um filhote de gatinho, trouxe para casa e tchanam. Minha mãe não gostou, mas o bichinho já estava em casa. Desde de então sempre tive um bichinho.
Mas isso foi só até o ano passado. No natal de 2007, abandonaram uma porcariazinha muito fofa na porta da minha sogra. Ela, é claro, não conseguiu deixar a bichinha abandonada e colocou para dentro. A cadela que minha sogra possui morreu de ciúmes, não deixava a totozinha brincar com nada, nem mesmo um graveto. Ela ia lá e tomava.
Quando vimos a cadelinha, foi amor a primeira vista. Decidimos ficar com ela, mas só a levaríamos depois que nos mudássemos. Ficamos preocupados pois já temos uma gatinha que não gosta muito de estranhos mas nos adora. Nos mudamos no Carnaval de 2008 e dois dias depois trouxemos a pequena cachorrinha. Ficamos apreensivos por causa da gatinha, mas não tinha jeito, a cachorrinha era nossa.
A gatinha queria conhecer aquele outro bicho que entrou na casa “dela”, mas a cachorrinha era muito estabanada. Nunca respeitava tempo da gatinha. A gatinha subia a escada e cachorrinha já começava a latir e bater as patinha no chão, chamando a gatinha para brincar. A gatinha, do alto de sua superioridade felina, ficava parada toda altiva olhando para a cachorrinha. E a cachorrinha lá doida pra cheirar o rabo da gatinha. Resultado: a cachorrinha acabava sempre tomando umas duas patadas e gata se mandava e só voltava vários dias depois.
Conclusão, até hoje, não podemos dizer que nossos bichinhos sejam amigos. Mas isso não importa pois amamos cada um deles e sabemos que um dia eles irão conviver em harmonia. A cachorrinha está aprendendo a respeitar o tempo da gatinha, o grande problema é que o tempo que a gatinha precisa é muito grande. A cachorrinha sempre perde a paciência, a gatinha acaba sempre se mandando.
Santa Arrumação
•Janeiro 31, 2009 • Deixe um comentário
Nunca fui uma pessoa muito organizada, mas esse caso foi demais. A situação do meu guarda-roupa estava periclitante e eu não consegui encontrar a coragem necessária para arrumá-lo. Eis que num sábado, por volta das sete horas da manhã, minha filha entra no quarto, abre a porta do armário. Olha para ele boquiaberta. Mã na cadeira e solta essa: “Mamãe, você acha que eu fico contente vendo essa bagunça? Não, mamãe, eu fico muito triste. Arruma logo isso.”
Mas não dava para arrumar, pelo menos não àquela hora da manhã. Eu nem tinha acordado ainda! Respondi: “A mamãe não sabe como se faz, ensina pra mim?”. Ela olhou pegou uma blusa e dobrou bem certinho. Pegou outra blusa, olhou pra mim. “Agora é sua vez, toma.” Peguei a blusa dobrei de qualquer jeito, no final ela me deu uma bronca. “Não é assim que se faz, está tudo errado!
Como as coisas mudam. Hoje em dia é o armário dela que fica uma bagunça. Quanto ao meu? Ele nunca conseguiu deiixar de ser uma bagunça. Tenho que admitir que nesse ponto fui um péssimo exemplo.
Passeando pela cidade
•Janeiro 31, 2009 • Deixe um comentário
É pessoal, morar longe do trabalho na cidade maravilhosa é dureza. O sistema de tranporte coletivo é MUITO ruim, e olha que não é exagero não. Não importa se o meio de transporte é ônibus, metrô ou trem, todos estão saturados.
É bem verdade que o trem melhorou, agora já temos composições com ar-condicionado. O povão amou. E faz questão de empurrar, socar, apertar para entrar no trem, na verdade isso não mudou muito. Antes do advento do ar-condicionado as pessoas já empurravam, socavam e apertavam para entrar no quentão, digo, trem. E fico eu lá amssadona, encostando em um monte de gente “bonita” e “cheirosa”. E quando para um mulher com os cabelos molhados, encharcado de creme fedido encostando em você. Nossa você sai do trem o braço está oleoso e com o maravilhoso perfume de creme de quinta. Delícia!
O metrô é outra maravilha. Os governos construiram novas estações aumentando a capacidade de transporte, uma maravilha. Só esqueceram de aumentar a capacidade da composição, o metro continua com o mesmo número de carros, o tempo entre as composições não diminuiu. Resultado, hoje, não importa a hora do dia, podemos sempre pegar o metrô cheio. Bem, tenho que admitir, estou sendo injusta. Não é a qualquer hora que pegamos o metrô cheio, algumas vezes, simplesmente não pegamos o metrô, pois nem empurrando, socando, brigando é possível entrar no metrô.
Claro que temos a opção do ônibus, afinal o nosso trânsito é muito melhor que o de São Paulo. Esse sim é uma boa opção. Ledo engano, aqui no Rio os ônibus andam LOTADOS, os motoristas param onde e qundo querem, e como se não bastasse algumas vezes é impossível descer no ponto desejado por que é simplesmente impossível chegar até a porta. Esse tipo de coisa acontece por que não existe ônibus suficiente circulando nas ruas. Não adianta dizer que estou louca, pois é verdade, já perdi a conta das vezes em que fiquei mais de trinta minutos aguardando o ônibus. Claro que quando passou um estava lotado, com gente saindo pelo ladrão.
A vida de quem mora longe do trabalho no Rio só melhora um pouco quando se tem carro e paciência para digirir no trânsito caótico dessa cidade maravilhosa. Vida de pobre não é mole não. Como diz uma amiga minha:
Quero ser pobre um dia, por que todo dia não dá não.
Quem daria esse nome pra própria filha?
•Janeiro 28, 2009 • 2 Comentários
No meu trabalho, sempre que nasce o filho de um funcionário o RH coloca um comunicado no quadro de avisos informando o pessoal. Não preciso nem dizer que esse é momento de potenciais risadas. O bebê pode ter uma cara engraçada, os pais podem ter sido criativos no nome, ou seja vária oportunidades.
Hoje, teve um desses comunicados. Olhei o quadro de avisos esperançosa, e não me decepcionei. Estava lá: Nasceu Morgana, parabéns para os pais. Agora me digam que tipo de pais dão o nome de Morgana para a filha?
Sempre que ouvi falar em Morgana era se referindo a fada má, a inimiga do Rei Artur. Até onde me lembro a única exceção foi o livro da Marion Bradley-Zimmer, As brumas de Avalon, até onde sei esse é o único lugar onde não podemos dizer que Morgana seja má. Mesmo com esse prognóstico os pais colocaram o nome da neném de Morgana. Já imaginaram o quanto essa criança vai sofrer na escola? Como as outras crianças vão implicar com ela?
Depois não adianta ficar se lamentando por que a criança é rebelde e só faz coisa errada. Ainda bem que meus pais não foram criativos.
Muito Obrigada, Papai e Mamãe.
Reforma Ortográfica
•Janeiro 27, 2009 • 3 Comentários
Português nunca foi minha melhor matéria, mas eu vinha melhorando. Agora com a reforma ortográfica eu concluí que vou passar a cometer tantos erros quanto a minha empregada. Peço que vocês, meus leitores, tenham paciência.
Justo eu que me orgulhava tanto de usar o trema corretamente. Acabou! Não tem mais trema. E os acentos, eu estava chegando lá. Quase não esquecia mais. O que aconteceu? Acabaram com alguns! Vejam só, alguns. Só para me confudir mais ainda. Já que era para acabar, que acabassem com todos de uma vez. Pelo menos eu saberia que não cometeria mais erros. Nem vou falar dos hiféns. Se antes não tinha regra, agora tem menos ainda.
Isso deve ser castigo por que eu achava engraçado ver meu avô escrevendo pharmacia. Pelo menos os meus netos vão poder rir de mim também!!
Por um fiapo
•Janeiro 26, 2009 • Deixe um comentário
Minha sogra conversava com minha filha, que nessa época era uma tagarela. Conversa vai, conversa vem, minha filha pergunta sobre a mãe da minha sogra. Minha sogra fala que a mãe já faleceu.
- Na minha família todo mundo morre muito cedo. Minha mãe morreu com 56, minha avó com 54.
- Nossa. o pessoal morre cedo mesmo! E a senhora está com quantos anos?
- Eu estou com 52.
- Caramba a senhora está por um fiapo!
Agora vejam se isso é coisa que se diga. Claro que minha sogra entendeu e caiu na gargalhada. Que sorte a minha.







